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Emílio Moura
Caros,
“Como a noite descesse...”, esse imenso poema do mineiro Emílio Moura (1902-1971),
dispensa apresentações. Basta ler e extasiar-se. Magnífico.
Sempre que leio esse poema, lembro o Rilke das Elegias de
Duíno (1923). Talvez eu esteja errado, mas o tcheco-alemão
Rainer Maria
Rilke (1875-1926)
influenciou meio mundo de poetas. Vejam o verso de abertura das Elegias: “Quem, se eu gritasse, me
ouviria entre as hieraquias de anjos?” É o mesmo tom grandioso, metafísico e encantatório. Se não houve a influência, pouco importa: há algum tipo de
parentesco.
Em sua poesia,
Emílio Moura está sempre em busca da amada ausente. Uma amada que, muitas vezes,
se confunde com a própria poesia.
Um grande abraço,
Carlos Machado
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Como a noite descesse...
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Emílio Moura |
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Como a noite descesse e eu me sentisse só, só e
[ desesperado
diante dos horizontes
[ que se fechavam,
gritei alto, bem alto:
ó doce e incorruptível
[ Aurora! e vi logo que só as estrelas
[ é que me entenderiam.
Era preciso esperar que o próprio passado
[ desaparecesse,
ou então voltar à infância.
Onde, entretanto, quem me dissesse
ao coração trêmulo:
— É por aqui!
Onde, entretanto, quem me dissesse
ao espírito cego:
— Renasceste: liberta-te!
Se eu estava só, só e desesperado,
por que gritar tão alto?
Por que não dizer baixinho, como quem reza:
— Ó doce e incorruptível Aurora...
se só as estrelas é que me entenderiam?
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